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VectorMag v1.0: Benchmark de Inversão Magnética 3D com Software Comercial de Referência

Fabrício Santos · 16 de setembro de 2026 · 7 min

Seções horizontais a 100 m: VectorMag v1.0 e software comercial lado a lado, com o gráfico de correlação

Quando um motor novo de inversão chega ao mercado, a pergunta certa é uma só: o resultado bate com o que o setor já usa e confia? Para responder sem rodeios, colocamos a primeira versão do nosso inversor — o VectorMag v1.0, o módulo de Inversão Magnética 3D da plataforma Lithogeo — lado a lado com um software comercial de referência do setor, na mesma área e com o mesmo dado de entrada. Este artigo mostra o resultado fatia por fatia, sem retoques.

Como o teste foi feito

Para a comparação ser justa, as duas ferramentas receberam exatamente o mesmo problema:

  • Mesma área: ~16 × 18 km no Nordeste do Brasil, levantamento aeromagnético público (linhas de 500 m, sensor a 100 m do terreno).
  • Mesmo dado: o mesmo grid de campo magnético residual e o mesmo modelo de elevação; mesmo campo geomagnético de referência (IGRF).
  • Mesma física: as duas rodaram MVI — inversão do vetor de magnetização, que não assume a direção da magnetização e por isso funciona mesmo com remanência.
  • Independência total no resto: cada ferramenta usou a sua malha, a sua regularização e o seu tratamento de campo regional. Um detalhe que diz muito: as duas escolheram, de forma independente, praticamente a mesma célula horizontal (~165 m) para este dado.

Os dois modelos ajustam as observações dentro do alvo estatístico (χ²/N ≈ 1) — ou seja, os dois explicam o dado igualmente bem. A diferença que interessa está no modelo 3D que cada um constrói. Para medir isso, cortamos os dois modelos em seções horizontais a profundidade constante abaixo do terreno e correlacionamos célula a célula, em escala logarítmica (a magnetização das rochas varia várias ordens de grandeza).

O resultado, fatia por fatia

Correlação entre VectorMag v1.0 e o software comercial, fatia por fatia, da superfície a 1.200 m

A curva resume o benchmark inteiro: a correlação em escala log fica entre 0,86 e 0,90 da superfície até 600 m e permanece acima de 0,80 até 1.000 m — a faixa onde a exploração mineral de fato acontece. A concordância de ordem (ρ de Spearman) acompanha, o que significa que as duas ferramentas classificam as mesmas zonas como quentes e frias, na mesma ordem.

As seções, lado a lado

Abaixo, quatro profundidades — em cada figura: o VectorMag v1.0, o software comercial e o gráfico de correlação daquela fatia, todos na mesma escala de cores.

Comparação a 250 m de profundidade

Comparação a 500 m de profundidade

Comparação a 750 m de profundidade

Comparação a 1.000 m de profundidade

Os mesmos corpos, com a mesma geometria e a mesma escala física: a razão entre as medianas de amplitude dos dois modelos fica entre 0,9 e 1,1 em toda a coluna até ~1.150 m. Mais fatias (50, 150 e 350 m):

Comparação a 50 m de profundidade Comparação a 150 m de profundidade Comparação a 350 m de profundidade

Os mesmos alvos

Correlação alta é uma coisa; apontar para os mesmos lugares é outra. Pegamos as células mais magnéticas de cada modelo (o decil superior, até 1.000 m de profundidade) e medimos a sobreposição: 61% das células "quentes" coincidem (índice de Jaccard 0,61 — o acaso daria ~5%). Na prática: quem prioriza alvos com um modelo ou com o outro olha para os mesmos corpos.

Transparência: onde os modelos divergem

Nenhuma inversão enxerga tudo. Abaixo de ~2 km, os dois modelos são pouco constrangidos pelo dado — cada um resolve essa zona com as próprias escolhas de malha e regularização, e é lá que eles mais divergem. Por isso o VectorMag entrega junto do modelo o DOI (profundidade de investigação): o mapa de até onde o dado realmente sustenta a interpretação. Um resultado só é tão bom quanto a honestidade sobre os seus limites.

O que isso muda para quem explora

O software comercial de referência é uma excelente ferramenta — e continua sendo o padrão de comparação. A diferença está no acesso:

  • VectorMag v1.0 roda dentro da plataforma Lithogeo, direto do navegador: sem instalação, sem licença dedicada e com resultado em minutos. O modelo é SaaS, com custo acessível: assine um plano ou rode inversões avulsas com pacotes de créditos — você paga pelo que usa, quando precisa.
  • O caminho tradicional envolve assinatura anual, estação de trabalho e créditos de processamento em nuvem.

E este é o resultado da v1.0 — a primeira versão pública do motor, que só evolui a partir daqui, versão a versão.

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